sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A Formação em Psicologia

Um dos temas que mais me deixaram intrigados ao longo do curso de psicologia (e ainda me deixam) diz respeito a formação do psicólogo. A formação do psicólogo de certa forma em termos de "obrigatoriedade" segue a mesma linha das demais profissões, sendo composta por aulas teóricas e pelo estágio supervisionado. Além destas duas dimensões da formação citadas, as aulas teóricas e o estágio supervisionado, existe um terceiro aspecto "muito importante", segundo os professores, o tratamento terapêutico ao qual o graduando em psicologia deve-se submeter.
É curioso o fato de que mesmo com os professores (psicólogos em exercício) defendendo a necessidade dos alunos entrarem em tratamento psicoterápico, o Conselho Federal de Psicologia até hoje não determinou como   um processo necessário e obrigatório a formação de psicólogo o tratamento psicológico.
Eu sinceramente desconheço as alegações do Conselho Federal de não colocar caráter de obrigatoriedade no tratamento dos futuros psicólogos. O que me chama a atenção é o fato de a cada dia vermos inúmeros processos judiciais contra psicólogos credenciados ao Conselho por infringirem as normas do código de ética profissional. Bom, mas podem me perguntar que relação existe entre o aluno não fazer terapia e ser um psicólogo que desrespeita as normas éticas da profissão. Convenhamos que a disciplina de ética nos fornece subsídios informativos necessários para nosso exercício profissional, contudo, é evidente acredito, pelo menos para alunos de psicologia que nossa ferramenta de trabalho, a nossa subjetividade é algo extremamente complexo, do qual nós mesmos temos dificuldades de obter "controle".
Devem estar me achando um maluco por relacionar coisas que a princípio parecem não ter nexo. Mas acreditem, tem relação. Já ouvi da boca de meus professores inúmeros relatos de casos de psicólogos, eu diria pseudo-psicólogos desenvolverem atitudes "terapêuticas" fantásticas, como jogar um lençol sobre o paciente ou então pedir pare o paciente escrever tudo que está sentindo em um papel e depois jogar fora. Estes são exemplos de total falta de cientificidade no exercício profissional e que ao meu ver tem ligação direta com o não tratamento do aluno.
Se o indivíduo recorre a práticas fantásticas como estas é porque provavelmente nunca se deparou com um processo psicoterápico de base científica, ainda acredita em "milagres". Fazer terapia, seja esta de qualquer escola teórica permite ao indivíduo comprovar a eficiência  a partir da amenização do próprio sofrimento e acima de tudo o desenvolvimento do auto-conhecimento.
Colocar-se em trabalho terapêutico auxilia o aluno a articulação da teoria com a prática, permite o desvelamento dos mais insuportáveis pré-conceitos dos quais todos somos possuidores e de todas as fraquezas afetivas que nos desequilibram frente a situações difíceis. O aluno que não conhece suas fraquezas, que não tem noção de que é possuidor de ideias preconceituosas  e de que nem ao menos possui uma noção básica do funcionamento da mente humana chegará ao 5º ano no estágio clínico com grandes dificuldades que provavelmente serão contornadas pelo orientador, mas seu futuro profissional será uma interrogação, pode até não cometer nenhum tipo de infração contra o código de ética, mas será que estrutura psíquica para auxiliar outra pessoa a amenizar seus sofrimentos, sendo que nunca colocou em questão sua própria interioridade?

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